Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009

Sobre o Amor

 

 

 

 

Alguns pensamentos sobre sentir e amar.

 

Sentir: Há quem diga que uma das coisas que torna os seres humanos tão especiais é a sua capacidade de sentir. De facto, é provável que os seres humanos tenham um leque de emoções mais subtil e variado, quando comparado com os outros animais, e a ser assim, é devido ao nosso grande cérebro. Mas terá que ser isso obrigatoriamente mais especial que, por exemplo, a maior probóscide de um elefante? Ou será que consideramos os sentimentos são "mais especiais" exactamente porque nós somos humanos, e escolhemos aquilo que (pensamos que) mais ninguém tem? É interessante imaginar, no caso de sermos todos elefantes, se olharíamos com um certo ar de superioridade para todos os outros animais, e pensar que todos têm narizes tão pequeninos, conseguem cheirar com eles e pouco mais.

 

Ainda sobre o sentir, desde há já muito tempo que se conhece zonas no cérebro que estão directamente ligadas a certas emoções (ex.: amigdala). Já foram identificados centros no cérebro que são origem de algumas emoções, como o medo e a raiva, e pensasse que partilhemos com muitos mamíferos as mesmas estruturas do cérebro que são responsáveis pelo que se entende por emoções primárias (medo, raiva, tristeza, felicidade). Ou seja, que a nossa "base emocional" é um legado da nossa história evolutiva (da mesma maneira que o são os nossos olhos, o respirar oxigénio...). Há indícios fortes para que se possa colocar a hipótese de que a fonte de todos os nossos sentimentos e emoções seja biológica (por oposição a uma fonte sobrenatural), e é desse princípio que vou partir.

 

 

Amar: É comum dizer-se que o sentimento "mais verdadeiro" é aquele que aparece como primeiro impulso. Fica no ar a pergunta, o que significa ser  "mais verdadeiro"? Neste caso, se estamos a falar do primeiro impulso, corresponde àquela primeira avaliação que o nosso cérebro faz, baseada sobretudo nas emoções. As emoções são muito importantes, são elas que nos fazem (correctamente) decidir parar num sinal vermelho, mas também são elas que nos fazem sentir (incorrectamente) que alguém, só por ser de outra raça, é inferior a nós. Portanto, as emoções, só por si, não nos levam a conclusões que sejam obrigatoriamente correctas (podem ser, podem não ser). "Mais verdadeiro" NÃO significa, então, mais perto da realidade.

 

Imagine-se o seguinte caso: alguém, que já está comprometido com uma pessoa, sentiu um impulso muito forte ao dar-se com uma terceira pessoa. Significa isto que já não "ama" a primeira? Se seguirmos os primeiros impulsos, somos levados a acreditar nisso. Será a visão de "amar" quando se considera que "amar" é sobretudo algo que tem a ver com as emoções. E se essa pessoa pensar no seguinte?

 

- Se fizer alguma coisa com esta pessoa, vou magoar a primeira, e eu não quero isso;

- Eu estou bem com a primeira, ainda há muitas coisas que quero fazer com ela;

- A primeira pessoa é alguém raro com quem me sinto bem e à vontade, não quero perdê-la;

 

Se considerarmos que a pessoa que pensa isto está a "amar", então estamos a ver:

 

- "Amar" como algo também "mental", que não tem só a ver com as emoções, mas também com aquilo que pensamos, com aquilo que queremos para além dos nossos impulsos.

- "Amar" como uma acção, algo em que temos alguma influência, em que podemos fazer alguma coisa para que isso aconteça.

 

Ou seja, "amar" como algo que vai além das emoções e sentimentos.

publicado por Terebi-kun às 05:56

editado por Yasako em 16/11/2010 às 21:02
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1 comentário:
De Drica a 15 de Fevereiro de 2009 às 21:45
Antes de comentar tenho de esclarecer que nao sao 5h e tal da manhã e que ao invés de vir comentar isto não me viro para o lado e me "atiro" nos braços do meu amor porque não o tenho aqui comigo no momento... Mas não posso deixar de comentar: "que rico cérebro e raciocinio mental que tens aquela hora da madrugada"...
E queria apenas comentar que realmente acho que "amar" é algo mais além de emoções, sentimentos e impulsos. Amar passa também por algo muito racional... normalmente eu acho que uma boa diferença entre estar apaixonado e amar é a racionabilidade dos dois sentimentos. Amar passa por questionar-se sobre os seus sentimentos, amar passa por falar e querer compreender o que o outro sente... Quem não gosta de ouvir "Eu amo-te"? Todos nós gostamos... de ouvir tais palavras mas também de as sentir em actos...
Amar passa por reflectir em atitudes tomadas, palavras que foram ditas, pensar no que podemos fazer para melhorar uma relação. Aí deixa de ser só impulso e sentimento... Passa a ser também racional... Mas o bom é que ser racional não é mau, contrariamente à ideia que muitos têm que pensar e ponderar sobre o assunto faz perder a paixao e a espontaneidade... Eu cá nao concordo nisso... Mas também fazia muito tempo que eu nao tinha aquele sorriso patético na cara, tipico de quem está apaixonada, e ao mesmo tempo aquele ar sereno e feliz de quem ama e se sente amada...

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