Quinta-feira, 12 de Agosto de 2010

Planets

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publicado por Yasako às 11:56
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Domingo, 1 de Agosto de 2010

Quanto vale um debate

O debate como método formal com regras bem definidas já existe há bastante tempo. Há uma afirmação que se costuma dizer em relação a certas formas de debate:

 

"To inexperienced debaters, some propositions appear easier to defend or to attack; to experienced debaters, any proposition can be defended or attacked after the same amount of preparation time, usually quite short."

 

Sempre vi os debates como uma ferramenta para nos aproximarmos da realidade. Mas isto faz-me pensar: uma boa ferramenta permite-nos chegar mais facilmente ao resultado correcto. Pois então se formos debater se o papa anda ou não de carro voador, e qualquer um dos lados é igualmente defensável, qual é a utilidade do debate nesses moldes?


publicado por Terebi-kun às 17:04

editado por Yasako em 09/08/2010 às 12:20
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Terça-feira, 27 de Julho de 2010

Mundo "Doente"

 

"penso [...] Na minha pequena filha de apenas 4 anos e no mundo doente em que terá de viver."

 

Isto foi dito por causa do crime na Carqueja.

 

Já ouvi muitas frases deste tipo, da boca de muitas pessoas e nas situações mais variadas, e faz-me sempre perguntar: seria preferível viver no mundo de há 100 anos atrás? Ou de há 500 anos atrás? Alguma vez este mundo deixou de estar "doente"?

 

Duvido que o mundo esteja mais doente agora do que alguma vez esteve. Mas não é bem isso que queremos dizer quando afirmamos que o mundo está doente. Devíamos antes escrever, "o mundo não está como eu acho que devia estar". Dito assim, não fica com o mesmo impacto, mas provavelmente fica mais perto da intenção.

 

Quando crescemos, tantas vezes aconteceu darem-nos "os príncipes e as princesas" - uma ideia do mundo que não corresponde à realidade. Como é que as pessoas são, como é que o mundo funciona. E mais tarde, quando somos confrontados com a realidade, é o mundo que está "doente".

 

O que não quer dizer que o mundo fique sempre igual - a maneira como vivemos hoje é muito diferente de como viveríamos se tivéssemos nascido há 500 anos atrás. Mas a natureza humana não mudou durante esse tempo. A mudar, será na escala das dezenas de milhares de anos, senão mais, e na prática temos de encará-la como imutável. E se não aceitarmos essa realidade, não podemos mudar o mundo de maneira duradoura. Posso achar que neste mundo ninguém deveria trabalhar e que toda a gente devia ter tudo de graça! Mas se alguma vez isso acontecesse, podem apostar que não ia durar muito tempo, quer pela natureza humana, quer pela realidade do universo.

 

Num exemplo menos óbvio, podemos achar que todos nós devíamos ter direito a um trabalho para a vida, onde todos ganhassem o mesmo, independentemente do que fizéssemos. A idéia é bonita, e parte dela chegou a ser implementada de uma ou outra forma. Mas de maneira geral, isto vai contra o sistema de incentivos inscritos na nossa natureza, e muito dificilmente seria sustentável: ou por as pessoas não se sentirem bem com o sistema, ou por não gerar trabalho suficiente para suportar o próprio sistema.

 

Mas há um pormenor. É possível que estas idéias, para certas pessoas, pudessem funcionar! Se todos fossem como elas, até poderiam ser sustentáveis. E talvez esta seja uma razão para que certas idéias sejam defendidas de forma tão acérrima, mesmo que todas as provas digam que não funcionariam no geral. Porque até poderiam funcionar - se o mundo fosse de outra maneira.

publicado por Terebi-kun às 10:23
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Domingo, 18 de Julho de 2010

Não há Arte

 

O Roger Ebert, famoso crítico de cinema, afirmou que não acreditava que os jogos de vídeo pudessem vir a ser considerados como arte. Como seria de esperar, esta frase gerou milhares e milhares de comentários por parte dos gamers, onde a maior parte tentou explicar ao Sr. Ebert porque é que achavam o contrário.


Discutir se alguma coisa é ou não arte pode durar para sempre, sem se chegar a uma conclusão, e há uma razão para isso. À semelhança do que acontece com outras palavras (e.g., "casual games"), não há um acordo sobre o que é que a palavra "arte" está a classificar. É uma daquelas "categorias" que são construídas de acordo com cada pessoa.

Portanto, já passaram milhares de anos e ainda não existe uma definição para o que é "arte". E duvido que se venha a ter nos próximos milhares de anos também. Sempre que vejo uma discussão sobre arte (quer seja sobre os jogos ou não) pergunto-me: porque é que as pessoas se importam tanto que algo seja arte ou não?


Bem, esta pergunta não é tão pantanosa como a anterior. Podemos não saber dizer se algo é arte ou não, mas facilmente associamos "arte" como sendo algo com valor intrínseco, mesmo que não seja evidente à primeira vista. Se aceitarmos isto, a motivação atrás da discussão sobre se algo é arte torna-se muito clara: temos um grupo de pessoas, com gosto por algo em particular, e querem que esse "algo" entre para o 'clube das coisas que têm valor'.

E agora, porque é que as pessoas querem que as coisas que gostam, pertençam ao clube das coisas que têm valor? Há muitas maneiras de responder a isto, mas a motivação é sempre a mesma: o reconhecimento pelas outras pessoas. Se não tivesse a ver com as outras pessoas, nem havia uma discussão, gostávamos das coisas sozinhos ou com quem está interessado e ficava por aí. Mas não chega. Mesmo quem não gosta precisa saber, precisa reconhecer que aquilo de que gostamos "vale a pena", é importante.

 

Não sei porque é que isto acontece, mas parece que faz parte da natureza humana. O que não falta na história são exemplos de pessoas a gastarem muita energia a promover os seus gostos pessoais - desde ideias até equipas de desportos e deuses. Em todos estes casos, a motivação é clara: temos uma ideia de como é que o "mundo é", e estamos dispostos a mostrar aos outros que eles estão errados em relação à realidade (e.g., "é a Terra que gira à volta do Sol!", "O Comunismo é que é!", "Foi Zeus que criou os homens, não a evolução!", "o meu clube é melhor que o teu!", etc...).


No caso da arte, e se aceitarmos tudo isto, acho que se torna difícil deixar de ver uma discussão sobre se algo é ou não arte como humanos a esforçarem-se por serem reconhecidos por outros humanos.

publicado por Terebi-kun às 10:13
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Segunda-feira, 5 de Julho de 2010

Prestar Sempre Atenção

Já tinha chamado a atenção para grupos com nomes que podem induzir em erro quanto ao que o grupo representa. Encontrei outro exemplo do porque é que é importante "processar" sempre aquilo que se lê.

 

O site chama-se moral-relativism.com, e fala sobre relativismo moral. A parte interessante: embora o texto, à primeira vista, tenha sido escrito de forma a parecer neutro e "unbiased", na verdade é bastante enviesado - começa por apresentar uma definição aparentemente correcta de relativismo moral, mas não tarda em passar a mensagem, mais ou menos subtil, de que é uma coisa errada.

 

Estava à espera que a página, a ter um viés, que fosse a favor do que a página publicita. E há pessoas que se aproveitam disso e dão-se ao trabalho de fazer páginas e escrever sobre aquilo que estão contra, mas falando sem mostrar directamente aquilo que defendem. É uma maneira de transformar uma visão enviesada da realidade em algo com aspecto mais fiável.

 

Mas neste caso, até nem está muito disfarçado. Algumas das "provas" mais flagrantes:

 

- Citam o Bill O'Reilly;

 

- Quando falam sobre evolução, tem um link que nos leva à página "allaboutcreation.com";

 

- Exemplos que apelam às emoções em vez da lógica ("Moral relativism says anything goes …but does it? Is it better to torture a child, or to hug that child?");

publicado por Terebi-kun às 02:34
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Quinta-feira, 1 de Julho de 2010

Qualidade vs Vendas

Já há bastante tempo que penso nisto. O que significa algo ter qualidade? Quem decide o que tem qualidade ou não?

 

O Malstrom dá a visão dele: algo tem qualidade se as pessoas lhe derem valor e estiverem dispostas a pagar por isso.

 

Chego sempre à conclusão que a fonte do problema é associar "qualidade" a um juízo de valor absoluto. Se alguém, por algum motivo, atribui o termo "qualidade" a algo, torna-se automaticamente "bom", "desejável", "um exemplo a seguir", mesmo que em alguns casos isso não faça sentido.

 

Acho que o Malstrom dá um passo na direcção certa ao separar esse absolutismo da "qualidade", e atribuir a origem da qualidade à sua verdadeira fonte: as pessoas.  Para onde quer que nos viremos, desde a população ao especialista, indicadores de vendas, interesse, etc., a qualidade não é algo que exista sem as pessoas.  São as pessoas que decidem o que tem qualidade

 

 

Pode-se agora adicionar a isto uma série de outras coisas, que tornam a qualidade uma coisa bem bicuda quando se considera como tendo valor absoluto:

 

- Tendência para ser do contra (muitas vezes inconsciente); Às vezes mais, às vezes menos, às vezes só com algumas coisas em particular. Quando atribuímos pouca qualidade a algo porque uma grande número de pessoas lhe atribuiu qualidade - e o inverso, atribuir qualidade a algo porque muitos poucos lhe dão qualidade.

 


- Exposição; No livro This Is Your Brain On Music o autor dedica um capítulo a explicar porque é que gostamos da música que gostamos. Em diferentes alturas da nossa vida, o nosso cérebro está preparado para apreciar diferentes tipos de estilos. Se o que ouvimos é demasiado simples, aborrece-nos. Se é demasiado complicado, é desagradável. Há uma janela daquilo que estamos preparados para ouvir. No entanto, ter mais prazer por algo mais complexo não significa automaticamente que isso tenha mais qualidade absoluta (por muito que o nosso instinto humano goste de nos pôr a nós próprios "à frente dos outros").

publicado por Terebi-kun às 10:46
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Domingo, 30 de Maio de 2010

Números


 

 

Desanima-me ler coisas assim:

 

"Tem razão o meu amigo Augusto quando me diz que está farto de números. Os números são aves de mau agouro e por muito grandes que sejam são sempre mais pequenos que o sonho. E sem o sonho o mundo não gira. Que mundo queremos deixar aos nossos filhos para além do mundo dos números?"

 

Custa-me porque quem sabe se não estaríamos todos melhor se se gostasse tanto dos números como das palavras.

 

Às vezes são difíceis, às vezes são chatos. Mas fazem tanto parte do nosso mundo como tudo o resto. Tanto podem trazer boas como más notícias, são essenciais para as ferramentas que temos para chegar à realidade.

 

Tanto os números como as palavras podem ser falsos. Mas quando os números são reais, se não os soubermos entender não nos servem de nada. E se o objectivo for concretizar sonhos, saber entendê-los só poderá ajudar - nem que seja para dizer que aquele crédito ao consumo tão atraente não é assim tão boa ideia quanto isso.

publicado por Terebi-kun às 02:08
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Segunda-feira, 17 de Maio de 2010

Civilização

A diferença que vai entre a realidade, e o que a generalidade das pessoas pensa que é a realidade, pode dar uma ideia do grau de civilização de uma sociedade.

 

Onde há uns séculos era evidente que o sol circundava a terra, o oposto já é aceite em muitos sítios. Não há tantos anos assim, as mulheres não eram tão pessoas como os homens, pessoas de raça negra eram vistas uma "espécie inferior", e a homossexualidade era considerada uma doença.

Nenhuma dessas ideias se conseguiu apoiar na realidade, e esse conhecimento foi-se infiltrando, umas vezes mais lentamente, outras não.

 

Pode-se ter medo da realidade: é muito mais confortável acreditar naquilo que nos faz sentir melhor. Pode-se até dizer que saber "demasiado" sobre as coisas tira-lhes a graça. Mas onde não há conhecimento, há superstição, e é mais difícil haver compreensão.  Já houve muitas bruxas, demónios, loucos, tiranos e desviados. A realidade continua a dizer, pelo menos, uma coisa: eram todos seres humanos.


publicado por Terebi-kun às 11:01
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Domingo, 18 de Abril de 2010

Debater, debater

Encontrei esta passagem enquanto lia a página da Wikipedia sobre debates:


"The major goal of the study of debate as a method or art is to develop one's ability to play from either position with equal ease. To inexperienced debaters, some propositions appear easier to defend or to destroy; to experienced debaters, any proposition can be defended or destroyed after the same amount of preparation time, usually quite short."


Então, se houver um debate sobre a origem dos bebés humanos e os intervenientes forem suficientemente experientes, a teoria da cegonha e a teoria sexual estão em pé de igualdade? Não sei se isso abona muito a favor dos debates.

 

Hum... será por isso que quando se usa outras formas de retórica (filosofia, senso-comum...) para perceber a realidade, também não se chega muito longe?


publicado por Terebi-kun às 19:21
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Domingo, 21 de Março de 2010

So that's why it's so noisy out there

Há falta disto

There's not enough, although...

Adorei este post do Malstrom. Fiquei com a impressão que ele gosta de negócios pela mesma razão que eu gosto do método científico:

 

"Anyone can say anything. This is why nothing done is interesting unless people are putting their money behind it. Business, of course, is everything with money behind it. I like business because you are either right or wrong where with “message forum opinions” that are like a virus on the Internet, when the person is wrong, they will still declare themselves right anyway."

 

Também diz algo muito importante acerca de discutir :

 

"With the subject of business, if someone says, “I want to talk about business, but I do not want to talk about sales,” you can safely ignore such a person. My point is that there is a difference between thinking and a difference between knowing. When people know things, such as their “Hamlet”, they will result in an interesting discussion and debate over the matter. If people started to discuss “Hamlet” based on their ‘thoughts’ and not knowing about the material, all you get is noise."

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publicado por Terebi-kun às 10:30
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